Poético e Profundo
- Priscila Z Vendramini Mezzena
- 25 de fev.
- 1 min de leitura
Neste final de semana, fui assistir Flow, a tão comentada e premiada animação letã.
Esta bela, singela e profunda obra tem conquistado a atenção do público ao redor do mundo, surpreendendo não apenas por sua narrativa sensível, mas também pelo modesto orçamento—bem distante dos valores astronômicos das grandes animações de estúdios como a Disney (Flow: US$ 3,8 milhões vs. Mufasa: US$ 200 milhões).
O filme prescinde de diálogos, grandes efeitos visuais ou canções chamativas para tocar os corações de adultos e crianças. Sua força reside na universalidade dos sentimentos e na sutileza com que aborda temas essenciais, como o futuro da Terra e os ciclos da vida.
A ausência de palavras causa surpresa, especialmente nas crianças, mas logo se revela um convite à imersão nas alegorias do filme. A narrativa nos transporta para um mundo pós-apocalíptico, onde restam apenas vestígios da civilização humana. Nesse cenário, um gato solitário embarca em uma jornada inesperada, unindo-se a um grupo improvável de animais—um cachorro, um lêmur, uma capivara e um pássaro mensageiro—para enfrentar uma grande enchente.
Diante desse desafio, a única opção é seguir o fluxo, adaptar-se e encontrar um propósito comum em meio à diversidade e à adversidade. Confinados a um pequeno barco, os personagens aprendem, ao longo da jornada, sobre colaboração, empatia, respeito, perdão e superação do medo. A amizade surge da convivência e se fortalece nas diferenças.
Flow resgata, de forma poética, questões fundamentais para a nossa sobrevivência e para as relações no mundo contemporâneo. Uma história sem palavras, mas repleta de significado e profundidade—tal como as águas desafiadoras que guiam sua narrativa.

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